Angola liderou o investimento público estrangeiro na Bolsa de Lisboa, com uma carteira de participações em empresas portuguesas avaliada em mais de 5,1 biliões Kz (5,7 mil milhões de euros), segundo dados da consultora Refinitiv a que a E&M teve acesso.
Essa posição de destaque assenta nas participações da Sonangol no Millennium BCP e na Galp Energia — uma estrutura que garante à petrolífera angolana a liderança isolada entre os accionistas estatais estrangeiros no PSI, o principal índice bolsista português.
A exposição financeira angolana supera os 4,6 biliões Kz (5,1 mil milhões de euros) detidos pela China e ultrapassa também a própria carteira do Estado português, avaliada em 1,4 biliões Kz (1,6 mil milhões de euros). Juntas, Angola e China concentram cerca de 12% do mercado cotado lisboeta, num contexto em que o capital público estrangeiro controla, no total, 15,3% do valor do índice — cuja capitalização global soma 83,9 biliões Kz (92 mil milhões de euros).
Banca: através do Millennium BCP, a Sonangol é o segundo maior accionista do maior banco privado português, com 19,9% do capital social, participação avaliada em 2,9 mil milhões de Kz (3,26 mil milhões de euros).
Energia: através da Galp Energia, a Sonangol detém uma participação indirecta de 17%, através do veículo Esperaza — sob controlo exclusivo da estatal angolana desde a resolução do diferendo com Isabel dos Santos — integrada na Amorim Energia, holding que controla a petrolífera. Esta fatia vale 2,1 mil milhões de Kz (2,4 mil milhões de euros).
Outros investidores soberanos no PSI:
China — 4,6 mil milhões Kz (5,1 mil milhões de euros), em EDP (21,4%), REN (25%) e Mota-Engil (cerca de 30%);
Estado português (via Parpública) — 1,4 mil milhões Kz (1,6 mil milhões de euros), em Galp Energia e REN;
Noruega (Norges Bank) — 1,2 biliões Kz (1,4 mil milhões de euros), em EDP, BCP e Galp;
Singapura (GIC Private Limited) — 579,1 mil milhões Kz (635 milhões €), em EDP Renováveis;