Angola vive, formalmente, sob um regime democrático. Na prática, porém, a democracia angolana permanece refém de um poder político concentrado há quase cinquenta anos nas mãos do mesmo partido: o MPLA. Desde a independência, em 1975, o país nunca conheceu uma verdadeira alternância de poder, num ciclo eleitoral marcado por vitórias sucessivas do partido no poder, frequentemente contestadas pela oposição e por organizações da sociedade civil.
Para o politologo Abel Xanduca, “Angola foi sequestrada esta nas maos de estrangeiros mas pessoas e filhos da mesma pátria é e perigo para as futuras gerações porque a cada ano que passa a democracia fica cada vez mais ameaçada e não se prevê um futuro melhor”.
As eleições, que deveriam ser o pilar da democracia, transformaram-se num ritual previsível. Denúncias recorrentes de fraude eleitoral, falta de transparência nos processos de apuramento, controlo das instituições eleitorais e uso abusivo dos recursos do Estado em benefício do partido governante colocam em causa a credibilidade dos resultados. A oposição participa, mas em clara desvantagem, enfrentando perseguições políticas, intimidações, detenções arbitrárias e restrições à sua liberdade de mobilização e expressão.
A liberdade de imprensa, outro pilar essencial da democracia, encontra-se severamente limitada. Os principais meios de comunicação social permanecem sob controlo direto ou indireto do Estado e do MPLA, funcionando mais como instrumentos de propaganda política do que como espaços de escrutínio público. Jornalistas independentes enfrentam censura, processos judiciais, ameaças e exclusão, criando um ambiente de medo que compromete o direito dos cidadãos à informação plural e imparcial.
Paralelamente, a corrupção tornou-se estrutural. Grandes negócios, setores estratégicos da economia, recursos naturais e contratos públicos continuam concentrados nas mãos de figuras ligadas ao MPLA, alimentando uma elite política e económica enquanto a maioria da população enfrenta pobreza, desemprego e degradação dos serviços públicos. O discurso oficial de combate à corrupção contrasta com a seletividade da justiça e a impunidade de altos dirigentes.
Eugenio Luamba religioso disse ao nosso jornal ser complicado falar de democracia no país onde praticamente a liberdade de expressão é limitada ou e inexistente “quando assistimos muita intimidação, perseguição e censura na imprensa e em vários meios públicos fica difícil falar de democracia porque o verdadeiro significado da democracia seria liberdade a todos os níveis e em angola não temos isso até é luxo você se expressar livremente vivemos todos com medo o MPLA moldou assim o pais e é isso que se vive é muito triste”.
Neste contexto de desigualdade, repressão e frustração social, as recentes manifestações populares revelam um país cansado. A prisão de cidadãos russos, num caso ainda pouco esclarecido pelas autoridades, surge num momento de forte agitação social e levanta suspeitas sobre tentativas de desviar atenções, reforçar narrativas securitárias ou justificar o endurecimento do controlo estatal. Em vez de diálogo e respostas às reivindicações legítimas da população, o Estado opta frequentemente pela repressão.
Para o acadêmico Jairo Albano, “em angola esta instalada uma política de medo muito seria e a todos níveis isso é grave e periga a democracia que aliás temos no papel e é para os membros e familiares dos membros do MPLA, o resto do povo angolano nao vive os mesmos previlegios da democracia que algo bonito para um país e uma sociedade, eles escolheram política de repressão e o medo tomou conta de grande parte dos angolanos infelizmente” lamentou.
Cinquenta anos depois, Angola continua à procura de uma democracia real, onde o voto conte, a oposição tenha espaço, a imprensa seja livre e os recursos do país sirvam o interesse coletivo. Enquanto o poder permanecer fechado sobre si mesmo, sustentado pela força, pelo medo e pela concentração de riqueza, a democracia angolana continuará a ser mais um discurso do que uma realidade vivida pelos seus cidadãos.